Filhos da
Luz
De essência
divina
Espíritos
livres de sina
Consciência
que produz
Florestas
obscuras
De vidas
futuras
O desejo
marginal
Do Universo
ancestral
Seres
cavalgando
Por desertos
rastejando
Nos pés a
areia fina
Nos cortes
da árvore a resina
A água que
se mistura
A ferida que
se cura
Com o sangue
da vida
O orvalho e
a brisa sentida
No corpo
despido
O vento e o
alarido
A chuva fria
na janela
As pedras
tristes da calçada
Reflexos no
espelho da alma
Dos dias de
Inverno sem calma
Viveres de
época de Carnaval
Onde a
ilusão é real
Beijos
lampejando corações
Roubando
emoções
Envenenando
os espíritos
Dos Deuses
perfeitos
Cultivando
doces amores
E colhendo
fúnebres flores
Em campos de
lágrimas
Sombras de
fantasmas
Em noites
sem fim
Ao som do
clarim
Rostos
tristes de alvura
Olhares de
ternura
Vivências
loucas
Poções mágicas
Desejos
cálidos
Penetrando
nas veias
Fazendo ver
sereias
Onde os
monstros imperam
As ondas quebram
Embatendo no
rochedo
Do Cosmos do
medo
Corpos seminus
lambendo-se
No mar
envolvendo-se
Tecidos de
nuvens transparentes
Ambos sonâmbulos
e carentes
De mãos
dadas com as estrelas
Baloiçando
como barcos de velas
À luz de
olhares celestiais
Gozando
prazeres carnais
Embriagando todos
os sentidos
No leito
divino imergidos
Sob lençóis de
algodão
E espuma de
sabão
Por caminhos
da eternidade
Na
cosmopolita cidade
Janelas
expelindo fumaças
Cortinados
beijando vidraças
Como no monte
Athos as orações
Dos monges cantando
canções
As
celebrações de inúmeras vidas
Duas almas
distantes mas unidas
Pelas forças
cósmicas sagradas
De orgasmos êxtase
roubadas
Os suspiros ao
entardecer
Soam no
silêncio do adormecer
Sonhos que
não se escrevem
Porque do
inferno vem
Nos céus os
Deuses se revoltam
Os dilúvios se
aproximam
Surgem os
guerreiros da Paz
Com coragem audaz
Espadas brilhantes
de amores
Cortam bonitas
flores
E enfeitam o
chão da avenida
Onde decorre
o desfile da vida
A vida
passada, a vida presente
O futuro é
sempre ausente
Se esconde da
dor
Do Universo
sem amor
Onde os
filhos da Luz
Morrem na
cruz!

