sábado, 23 de fevereiro de 2013

O sonho e a vida


Filhos da Luz

De essência divina

Espíritos livres de sina

Consciência que produz

Florestas obscuras

De vidas futuras

O desejo marginal

Do Universo ancestral

Seres cavalgando

Por desertos rastejando

Nos pés a areia fina

Nos cortes da árvore a resina

A água que se mistura

A ferida que se cura

Com o sangue da vida

O orvalho e a brisa sentida

No corpo despido

O vento e o alarido

A chuva fria na janela

As pedras tristes da calçada

Reflexos no espelho da alma

Dos dias de Inverno sem calma

Viveres de época de Carnaval

Onde a ilusão é real

Beijos lampejando corações

Roubando emoções

Envenenando os espíritos

Dos Deuses perfeitos

Cultivando doces amores

E colhendo fúnebres flores

Em campos de lágrimas

Sombras de fantasmas

Em noites sem fim

Ao som do clarim

Rostos tristes de alvura

Olhares de ternura

Vivências loucas

Poções mágicas

Desejos cálidos

Penetrando nas veias

Fazendo ver sereias

Onde os monstros imperam

As ondas quebram

Embatendo no rochedo

Do Cosmos do medo

Corpos seminus lambendo-se

No mar envolvendo-se

Tecidos de nuvens transparentes

Ambos sonâmbulos e carentes

De mãos dadas com as estrelas

Baloiçando como barcos de velas

À luz de olhares celestiais

Gozando prazeres carnais

Embriagando todos os sentidos

No leito divino imergidos

Sob lençóis de algodão

E espuma de sabão

Por caminhos da eternidade

Na cosmopolita cidade

Janelas expelindo fumaças

Cortinados beijando vidraças

Como no monte Athos as orações

Dos monges cantando canções

As celebrações de inúmeras vidas

Duas almas distantes mas unidas

Pelas forças cósmicas sagradas

De orgasmos êxtase roubadas

Os suspiros ao entardecer

Soam no silêncio do adormecer

Sonhos que não se escrevem

Porque do inferno vem

Nos céus os Deuses se revoltam

Os dilúvios se aproximam

Surgem os guerreiros da Paz

Com coragem audaz

Espadas brilhantes de amores

Cortam bonitas flores

E enfeitam o chão da avenida

Onde decorre o desfile da vida

A vida passada, a vida presente

O futuro é sempre ausente

Se esconde da dor

Do Universo sem amor

Onde os filhos da Luz

Morrem na cruz!